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11 de junho de 2014, por Clara Ribeiro

 

Jung e o Tarô, da Sallie Nichols

fazendo do tarô seu melhor analista

 

Nunca dei muito crédito pro tarô. Por minha mãe ser astróloga, e por saber da recusa

de uma parte da sociedade em dar crédito a assuntos esotéricos, me restringia a crer em apenas aquilo que meus pais sabiam me explicar.

Uma coisa era acreditar em Astrologia, na influência da posição dos astros, outra coisa era acreditar em pessoas que tiram cartas, prevêem futuro... "tarô é balela" (pensava eu, bobinha...)

                                                                    

Sallie  Nichols (que foi aluna de Jung) faz um paralelo entre as cartas do Tarô de Marselha e os arquétipos comportamentais humanos tratatos por Carl G. Jung. Cada figura arque- típica no baralho do Tarô de Marselha (tarô mais antigo conhecido, é tão valorizado e apreciado porque além de não constar um livro-manual, o jogo remonta tempos de antigos sábios que conseguiram incutir nas cartas imagens comuns ao consciente coletivo, como geometria sagrada e sabedoria esotérica, preservando valores que só os interessados saberiam encontrar, longe da mão da soberania anti-sabichões-bruxos. E por ser rico

em informação sobre o universo - o macro, revela intuitivamente sobre nós - o micro.

Bateu o olho, viu, percebeu, é seu.) fala sobre linhas de comportamento. E comportamento é um padrão de reação sobre o mundo ao seu redor, certo? Nossas reações são baseadas no nosso estado mental, e consequentemente emocional, ok? Se eu vejo um cachorrinho correndo no parque, isso me alegra, então eu sorrio. Mas se no mesmo parque eu vejo uma mãe brigando com seu filho, isso me incomoda, e me faz ficar apreensiva com a situação. Isso tem a ver com a percepção de cada um. Qual parte do todo nós escolhemos ver, e consequentemente reagir sobre.

Nosso mundo funciona como um espelho. Nós só vemos aquilo que está contido em nós. Você não saberia identificar um idioma que nunca ouviu, ou um sabor que nunca sentiu. Assim como você começa a perceber quantas pessoas usam o mesmo tênis que você, assim que sai da loja. Aquilo que percebemos sobre o mundo age exatamente sobre nós. Gostemos daquilo ou não.

"Tudo o que você vê, ouve ou vivencia de qualquer jeito que seja é específico pra você.

Você cria um universo ao percebe-lo, então tudo o que percebe no universo é específico

pra você." (trecho de Praticamente Inofensiva, da série O Guia do Mochileiro das Galáxias,

de Douglas Adams)

Então desde o começo do livro, um passeio entre os 22 arcanos maiores do tarô - e os arquétipos comportamentais ligados à cada um, você identifica em você certo tipo de atitude que você tinha, pelo motivo que você nem sabia existir, mas que existem. Ainda

que em nível inconsciente, todas as nossas experiências nos afetam, e as informações

que arquivamos nos influenciam em nossas ações e reações. E assim que notamos a
causa-efeito podemos trabalhar em nós mesmos a cura desse ciclo comportamental. Particularmente pude trabalhar diversos e desconhecidos aspectos em mim com essa leitura. Me descobrindo como pessoa, a potência que existe em cada um de nós,

o trabalho de evolução que pode ser dado através desse mergulho em nós mesmos,

no universo que somos.

Durante esse passeio entre os arquétipos, Sallie nos convida a uma leitura intuitiva de

cada carta antes do capítulo referente à mesma. Interessante manter um apontamento sobre o estudo, pois cada carta contém elementos que nos chamam atenção de diversas formas e por várias razões, e é muito interessante o infinito de associações que se pode fazer dentro de uma carta do Tarô de Marselha! As formas, as cores, como as linhas se
comportam, a emoção que cada traço - aparentemente - mal desenhado causa: tudo isso faz parte da percepção de cada um de nós. Se viu, percebeu, é seu. Vivemos juntos no mesmo universo, mas somos cada um de nós universos individuais baseados em percepção.

Então, se quiser saber mais sobre sí mesmo (e principalmente se não), o livro da

Sallie Nichols - Jung e o Tarô, é um farol sobre essa maravilhosa ferramenta para

o auto-conhecimento que é o Tarô. Livro de de cabeceira!

Até que um dia, procurando por um livro  do Depaak Chopra num sebo,

o livro da Sallie Nichols me acha. Pow!! Bem na minha frente, logo abaixo dos olhos. (na hora ouvi ele gritar: "Me lê!! Me lê" - é, eu escuto

os livros as vezes.)

 

Estudando Psicologia e Pedagogia, Jung é um dos pensadores com

quem mais empatizo, e seu nome imediatamente chamou minha atenção. Tarô, tá. Mas JUNG! Tá, escrito pela aluna dele... mas JUNG!

Quem olha pra fora sonha. Quem olha pra dentro desperta.

(Carl Gustave Young)

O Clareando ideias é escrito

por Clara Ribeiro, estudante

da Vida o Universo e tudo mais. Para saber mais sobre seu trabalho, fazer perguntas, sugestões, ou mandar um alô, clique aqui.

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