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Sobre a elitização dos saberes ancestrais


xamã mulher de olhos fechados em conexão espiritual

Poderia ser uma xamã de alguma vivência que eu fui, mas é só I.A. (by Freepik.com)


Estamos vivendo em uma época única (sempre) onde temos a facilidade de transferência de informação, oferta/aquisição, nunca antes experimentada pela existência humana. Por graça da internet cada um de nós tem voz, todos podemos ser ouvidos e ouvir - e essa última é auspiciosíssima quando percebemos que podemos adquirir todo o tipo de conhecimento, em qualquer área. O conhecimento racional é expansivo, estamos com um enorme potencial em mãos e mentes. Mas um outro tipo de conhecimento, com toda a expansão intelectual acontecendo globalmente, passa a ser notado: o conhecimento ancestral, os saberes dos povos antigos, originários, que contém tanta sabedoria, em tantos níveis, racional, espiritual, mas principalmente no nível vivencial. O conhecimento que é adquirido apenas tocando, sentindo, fazendo, vendo, sendo.


Muitos dos saberes que surgem à tona nessa era aquariana, são repletos de riquezas, capazes de curar a nós, a nossos povos, ao nosso planeta. Como se cada povo enxergasse uma fatia do Todo que Há, mas como se cada fatia dessa fosse capacitada por sí só a curar e elevar nossa existência, individual e coletiva. Vivências, encontros, retiros, partilhas de conhecimento ancestral vem sendo promovido nos diversos cantos do país e do mundo, e alguns pontos em comum: Preços altos para a participação, maioria de pessoas brancas, público privilegiádo, com nivel alto econômico. O valor pra participar de uma vivência vai entre R$ 100 / R$ 5.000 (e além), preço que não pode ser pago por quem ganha um salário mínimo por mês, e que é justamente a pessoa que precisa acessar alguma fonte de riqueza de saberes, capaz de lhe tirar da pobreza, oferecer casa, água, comida, cura física, mental emocional e astral, entre tantos benefícios. Claro, o valor das vivências são para bancar o trabalho de quem estará no lugar compartilhando de seu conhecimento, levantando renda pra bancar seu povo, por tantas vezes. Mas uma coisa se vê como resultado dessa experiência: a elitização de quem absorve o conhecimento ancestral, a branquificação do saber originário; a criação do pedestal narcisista de quem tem um saber que eleva, criando um espaço, uma membrana palpável que separa os que aprenderam a viver bem e pagaram por isso, e os que vivem na miséria porque o sistema o ensinou assim e não sobra dinheiro nem pra pagar todas as contas, quanto mais pagar uma vivência. Os que aprenderam "evoluem" (porque evolução sem aspas é só quando é coletiva), e os que não podem aprender são consumidos cada dia mais pelo mal da ignorância.


Vivemos em um planeta incrível que nos oferece absolutamente tudo o que precisamos pra viver bem, com saúde, com progresso, com bem estar e estabilidade. Podemos construir uma casa, podemos plantar e colher comida, medicina, ter matéria prima pra fazer tantas artes, podemos ter água e energia em abundância de forma livre e gratuita. Podemos nos curar de nossos males com a vasta gama de propriedades terapeuticas vindas da Terra, e nos tormos sãos com o contato com ela. Podemos acessar outras dimensões e trazer cura, mensagens, resoluções para questões internas, pessoais. A cura completa de um ser humano pode ser oferecida por nosso planeta, e pelos conhecimentos adquiridos e honrosamente guardados e transmitidos pelos povos originários e ancestrais. O nosso patamar de evolução no potencial da comunicação global impele que transmitamos aquilo que temos de melhor, em ordem de fortalecer e vivificar o grande organismo coletivo que somos. A transmissão de informações fortalecendo o sistema imunológico do coletivo, como em qualquer corpo. É natural. Observar esse fato nos torna conscientes e aptos à evolução de fato.


Que vivências tenham seu custo, seu preço adequado a realização do evento e do provimento economico de quem o realiza. Mas que seja visto a necessidade de oportunidades de participação nas vivências por quem não pode pagar dinheiro. Talvez sejam as participações mais honrosas, aqueles que precisam mais deslocar seu Eu inferior para entrar em sintonia com seu Eu superior, aqueles que de alguma forma não conseguem gerar renda pra pagar por uma vivência, mais que se interessam e emocionam por saber formas de melhorar o seu viver. A conexão tem que vir de todos os lados, senão há a separação. Que possamos abrir os braços pra recebermos-nos todos, os que pagam muito e os que pagam nada, e logo seremos capazes de gerar uma riqueza abundante e coletiva em escala global. Passando por cima dessa bagaça velha de sistema e criando uma nova realidade coletiva de aprimoramento e evolução.

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